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domingo, 21 de agosto de 2011

MOVIMENTO ZEITGEIST

MOVIMENTO ZEITGEIST
(movimentozeitgeist.com.br)






SOBRE

O Movimento Zeitgeist não é um movimento político. Ele não reconhece nações, governos, raças, religiões, credos ou classes. Nossos entenderes nos levam à conclusão de que essas distinções são falsas e ultrapassadas, e estão longe de ser fatores positivos para o verdadeiro potencial e crescimento humanos coletivos. Suas bases estão na divisão do poder e estratificação, e não na união e igualdade – nossos objetivos. Embora seja importante compreender que tudo na vida é uma progressão natural, devemos também reconhecer o fato de que a espécie humana tem a capacidade de retardar drasticamente e paralisar o progresso através de estruturas sociais obsoletas, dogmáticas e, por conseguinte, em desarranjo com a própria natureza. O mundo que vemos hoje, cheio de guerras, corrupção, elitismo, poluição, pobreza, epidemias, abusos aos direitos humanos, desigualdade e crime, é o resultado desta paralisia.
Este movimento tem a ver com a conscientização em defesa de um progresso evolucionário fluido, tanto pessoal como social, tecnológico e espiritual. Ele reconhece que a espécie humana está num caminho natural para a unificação, oriundo de um reconhecimento comunal de compreensões fundamentais e quase empíricas de como a natureza funciona e de como nós, enquanto humanos, nos encaixamos/somos parte deste desdobramento universal que chamamos de vida. Embora esse caminho exista, ele infelizmente está obstruído e é desconhecido pela grande maioria dos seres humanos, que continuam a perpetuar modos de conduta e associações ultrapassados e, portanto, degenerativos. É essa irrelevância intelectual que o Movimento Zeitgeist espera superar por meio da educação e de ações sociais.
O objetivo é revisar nossa sociedade mundial de acordo com o conhecimento atual em todos os níveis, não apenas conscientizando sobre as possibilidades sociais e tecnológicas que muitos foram condicionados a pensar serem impossíveis ou contra a “natureza humana”, mas também para fornecer meios de superar esses elementos que perpetuam estes sistemas obsoletos na sociedade.
Uma importante parceria, da qual se originam muitas das ideias deste movimento, vem de uma organização chamada “Projeto Venus”, dirigida pelo engenheiro social e projetista industrial Jacque Fresco. Ele trabalhou por quase toda a sua vida para criar as ferramentas necessárias para auxiliar na concepção do mundo que poderia eventualmente erradicar as guerras, a pobreza, o crime, a estratificação social e a corrupção. Suas ideias não são radicais ou complexas. Elas não exigem uma interpretação subjetiva durante a sua formação. Nesse modelo, a sociedade é criada como um espelho da natureza, com as variáveis predefinidas, inerentemente.
O movimento em si não é uma construção centralizada.
Não estamos aqui para conduzir, mas para organizar e educar.


História
Zeitgeist: do alemão "espírito da era". É a "cara" do momento, os valores de dado período de certa sociedade. Pode ser também interpretado como o senso comum da época em questão.
Movimento Zeitgeist: quando o termo movimento se junta ao termo zeitgeist, implica uma ação social para a mudança dos valores, da cultura, do senso comum e dos comportamentos de dada sociedade em determinado momento. No caso, como trata-se do mundo, esta sociedade é a humanidade toda. E o período é o nosso presente.
Inspirado nessa expressão, em 2007 o músico e cineasta Peter Joseph produziu o documentário Zeitgeist: The Movie, denunciando, dentre outros aspectos, o sistema monetário como suposto responsável pela manutenção das mazelas e conflitos sociais. A repercussão do filme foi tamanha que chamou a atenção de Jacque Fresco, engenheiro social responsável pelo desenvolvimento do Projeto Vênus, que apresenta uma nova proposta de organização social, a economia baseada em recursos, como alternativa para superar o modelo monetário. Este projeto propõe a aplicação da tecnologia e do método científico para o gerenciamento inteligente dos recursos do planeta.
Aliando o caráter conscientizador de seu trabalho aos ideais do Projeto Vênus, em 2008, Peter Joseph lançou Zeitgeist: Addendum, indicando no final do documentário um meio de conectar todos que se interessavam na proposta de mudanças nos paradigmas sociais. Conforme o documentário foi conquistando público ao redor do mundo, mais e mais interessados se cadastravam no site global com o intuito de participarem voluntariamente do processo de mudança. Em dois anos, ultrapassava-se o impressionante número de meio milhão de inscritos no site.
No Brasil, embora houvesse algumas iniciativas independentes, o movimento iniciou seus esforços oficialmente em 2010, com o lançamento do site nacional. Aos poucos, os grupos locais foram se organizando e reuniões/eventos em prol da divulgação das ideias propagadas nos filmes Zeitgeist: Addendum e Zeitgeist: Moving Forward se tornaram cada vez mais freqüentes. Assim, o Movimento Zeitgeist tem se firmado como uma organização que conecta voluntários do mundo inteiro visando promover a defesa da sustentabilidade total, através da realização de ativismo comunitário e ações de conscientização.



(textos retirados de: movimentozeitgeist.com.br)

EXIBIÇÕES DE VÍDEOS E DOCUMENTÁRIOS


Exibição de Vídeos e Documentários


Estaremos, fora as outras atividades que propomos a desenvolver, promovendo exibições semanais de filmes e documentários. O objetivo é que, através de materiais dinâmicos e críticos, possamos estimular - entre todos nós - uma postura mais reflexima, mais objetiva da realidade social na qual vivemos. Isso, claro, sem esquecer que outro ponto fundamental de nossos encontros é reunir os amigos e termos bons momentos de conversas e produtivos momentos criativos.






No sábado do dia 21.08 exibimos A primeira parte do documentário Zeitgeist: Moving Forward. Aos interessados em conhecer um pouco do documentário em questão, e do movimento que lhe deu origem, acesse: movimentozeitgeist.com.br


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PINTURAS E DESENHOS

Aqui expomos alguns trabalhos de membros do grupo:











Roche dos Anjos é escultor, desenhista e pintor. Músico autodidata e compositor, é membro de movimentos sociais onde utiliza a sua arte como estratégia de divulgação de seus ideais.



























Milton Emmanuel Ferreira é pintor, graduado em História. Atualmente cursa especialização em Psicopedagogia Clínica. É professor de desenho e pintura do Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação do Estado do Ceará.








PROGRAMAÇÃO

Nesta secção de nosso blog estaremos disponibilizando a programação dos encontros seguintes.

Nos encontros que se seguirão nestes dias de agosto e setembro estaremos exibindo, na sequência, alguns trechos dos documentários Zeitgeit. Fora isso, claro, continuaremos com a tradicional programação de rodas musicais e poéticas, para as quais estão todos convidados.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

POESIAS



[edmar.jpg]

Apresentamos aqui uma selação de trabalhos do poeta Edmar Eudes (edmareudespoeta@blogspot.com). Já com uma longa trajetória pelo mundo da poesia (com prêmios recebidos e livros publicados), esse poeta é membro de movimentos sociais dos quais os outros colaboradores deste blog fazem parte. Cabe bem aqui, parece-nos, a reflexão de Shakespeare, para todos aqueles empenhados na luta por uma sociedade melhor: 


 "Sem a arte a vida seria apenas caos e fúria."




SINAL DE VIDA


A televisão e o rádio
falam de guerra.

No jornal, só violência!
Na rua, vê-se a morte ao vivo.

Morre o homem,
morre a mulher,
morre a criança,
morre a alegria,

Junto com a paz!...

Fecho a televisão
fecho o rádio
fecho o jornal
fecho a porta do quarto...

E beijo Rosa, ruidosamente,
para todos ouvirem
que o amor ainda está vivo!

Edmar Eudes





APENAS UM POETA
Estes versos, por incrível que pareça, eu fiz quando estava dormindo.


Não sou poeta famoso
sou apenas um poeta,
nem tão pouco um imortal,
sou apenas um poeta
que ao ver a lua e estrela
a fazer festa,
se não escreve 
passa mal


Edmar Eudes






MÃE É MÃE


Eu faço verso
pra Virgem Maria
que um dia
deu à luz ao Salvador.

Faço verso
pra mãe operária
na sua vida precária
servindo ao seu Senhor.

Pra mãe negra
meu verso faço
ela que sobre o embaraço
da discriminação.

Eu faço verso
pra mãe prostituta
que pelo filho
vai à luta
em busca do pão.



DE POETA E LOUCO...

Ser poeta
é sair à meia noite
na rua
a conversar com as estrelas
com a lua
apressadamente
ou pouco a pouco
sem se importar
que alguém o chame de louco
ser louco
e falar palavras bonitas, estranhas
a todas as mulheres que o assanham
ou ao ouvido da predileta
sem nenhum medo de ser chamado
de poeta.


A POESIA E EU

A poesia é meu refúgio
nas horas de aflição
minha cúmplice e até repórter
desse meu coração
a divulgar os meus medos
e editar meus segredos
em versos de mão em mão.


*Sou um poeta do povo
e escrevo para vocês
se um dia eu nascer de novo
serei poeta outra vez


No meu estado de poeta
não me estanca a hemorragia
com minha veia poética
sempre a sangrar poesia.


Edmar Eudes













Tito é, antes de mais nada, um livre pensador. Creio que seja uma considerável responsabilidade essa de apresentar os colaboradores desse projeto, por isso mesmo essa preocupação de ser o mais preciso e exato possível é recorrente; mas o Tito é isso mesmo: um livre pensador. Na música, na poesia ou em seu engajamento social no bairro da Serrinha sua preocupação parece sempre ser a de não se deixar "castrar" por nenhum grupo, por nenhuma maneira pré-determinada de pensar e agir. Talvez por isso mesmo, portanto, suas poesias possam ser classificadas simplesmente de "gritos de liberdade'"



O POEMA
O poema saltita em meu cérebro
Que liquidifica rochas vivas.
Quer um abrigo por uma noite
E se prostituir no outro dia.
O poema me consome
Suga minha energia debilitada
O poema não tem dono
Quer o tempo como morada.

OLHANDO MINHA CIDADE
Olhando minha cidade
Vejo imagens de livros antigos.
Dizem-me que pouca coisa mudou...
A multidão ainda é temida, e a solução ainda cospe fogo.
Olhando minha cidade sinto ainda o odor,
a desgraça constante, mesmo descrita com um toque artístico.
A minha cidade continua a abrigar o medo, a incerteza. Quem tenta nela sobreviver.
A minha cidade olhando a si mesma
deixa escorrer do seu rosto lágrimas de sangue.
Este sangue que já percorreu tantos lugares, que matou e ainda continua a matar tantas almas!




                                                                  Milton E.F.
Milton é desenhista e pintor. Historiador e músico, sua preocupação fundamental é com a educação e com a sua importância para a transformação de paradigmas.



A Morte da Arte e da Inteligência
(reflexão sobre a violência: é somente com violência que conseguiremos combater o “sistema”? Não há outros meios possíveis?)



A Violência percorre todas as ruas e todas as mentes;
A Violência que obscurece a razão, e deixa a expressão
“bom senso” completamente sem sentido...

A Violência que é caminho à loucura
E a loucura que é caminho à Violência

A Violência que, posta em movimento
apenas com muita dificuldade retorna à inércia,
pois tendo nos tirado  a razão e a memória
(e isso ela faz muito bem)
Leva-nos à ausência de consciência de nossas ações.

 A Violência é a agressividade sem necessidade,
sem motivo e sem razão de ser;
a Violência é o supérfluo da agressividade.

A Violência é histérica!

Em um mundo mergulhado em Violência
não há sentido para as artes,
pois os seres humanos acostumados à Ela perdem aos poucos a sensibilidade...

A Violência do culto ao consumo;
A Violência do hedonismo irracional,
que supervaloriza as sensações em detrimento dos sentimentos,
e torna os seres humanos nada mais que feixes de nervos
em initerruptos espasmos convulsivos!

A Violência do individualismo selvagem;
Que faz o ser humano esquecer que ele nada é sozinho,
e cego em sua violenta irracionalidade torna-se capaz de matar a própria mãe em troca de fama  e dinheiro.

Se encontro na ciência e nas artes nada mais que Violência,
Se em tudo o que olho vejo Violência simplesmente
(inclusive naqueles com os quais compartilho minha humanidade),
que razões terei eu para viver?

Apenas uma: resistir à Violência!

Milton E.F.
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NIILISMO - reflexão


O professor, realizando seu trabalho, cumpre uma verdadeira missão. Seu objetivo não é levar informação àqueles por quem ele é responsável pela formação, mas sim, conhecimento. O que é a mera informação diante da capacidade de impor-se diante dela? De que vale saber que dois mais dois são quatro, se não sabemos o que fazer com isso? O professor que leva uma visão crítica diante da informação e do próprio mundo, esse sim é digno de se chamar dessa forma. Se no passado a formação enciclopédica abarrotava as mentes juvenis de informações de todos os tipos, dificultando assim o próprio raciocínio (é paradoxal essa observação, mas verdadeira. Da mesma forma que não se pode pensar sem informação alguma, torna-se também muito difícil a reflexão quando se tem um mundo de informações na mente, mas tempo nenhum para organizá-las), não podemos reproduzir esse padrão educacional, pois ele está condenado ao fracasso...

O passado teve seus erros e seus acertos. O acerto, parece-nos, foi a ênfase na ciência, na racionalidade e na visão objetiva de mundo. Nossa civilização não realizou os progressos esperados, mas isso, certamente, não foi devido ao fracasso da ciência, mas ao fracasso do próprio ser humano. Nosso orgulho, vaidade em excesso e nossa arrogância nos cegaram, como ainda hoje fazem com frequência. Comumente não vemos o que está diante dos nossos olhos; não porque a ciência seja falha, mas porque o nosso orgulho não nos permite reconhecer que estamos errados. Não queremos dar o braço a torcer. Um grande pensador (Thomas Khun) já disse que, muitas vezes, a única forma de uma idéia nova e melhor vir à tona é esperar toda a velha geração, defensora das idéias velhas e ultrapassads, morrer. Pois bem, assim o é, de fato. Quando superaremos nosso orgulho e começaremos a dialogar de fato? Quando decidiremos abrir de fato nossos olhos à verdade? Quando teremos a maturidade de pedir desculpas aos nossos companheiros quando for preciso? Quando deixaremos de sermos, nós mesmos, obstáculos ao avanço da mente, da ciência, da razão, do bom senso?

E hoje temos um novo inimigo. Se no passado acreditávamos na ciência e nas promessas da ascensão da racionalidade hoje nossos pensadores já não crêem mais em nada... No passado esperávamos que o mundo se tornasse um lugar melhor; hoje, poucos além dos religiosos, guardam ainda essa esperança. Não vêem nossos pensadores que nosso erro não foi termos acreditado nas promessas da razão, mas termos nos deixado cegar pelo orgulho, pela vaidade e pela arrogância. Quantos cientistas não foram cegos pela crença de que não podiam errar, e assim, muitas vezes obstruíram o caminho do bom senso coletivo com a defesa irracional de idéias incorretas? Quantos, ainda hoje, se negam a perceber que a ciência não é propriedade pessoal de ninguém, mas de todos; a ciência é um bem maior da humanidade! E assim, os pensadores mais jovens, cansados de assistir ao orgulho exacerbado dos pensadores mais velhos, de ter que contemplar os orgulhosos e meio cegos baluartes da ciência degladiarem-se pela afirmação de seus egos inflamados, desistiram da ciência, desistiram da busca pela verdade.

Eis que surge, a partir daí, o Reinado do Niilismo, a negação da ciência, a negação da racionalidade, a negação dos projetos coletivos, a descrença na luta por uma humanidade unida, justa, fraterna. A descrença no ser humano e em seus atributos (a racionalidade, principalmente) nos levou à inação, à apatia, ao desânimo. O ser humano, desorientado e sem perspectivas, vislumbra apenas dois caminhos: o culto à violência ou o retorno à irracionalidade das comunidades ancestrais. E assim, aqueles que lutavam por uma política mais justa, já não lutam mais. Aqueles que lutavam pelo progresso da ciência, já não lutam mais. Aqueles que lutavam pela fraternidade universal, já não lutam mais. Hoje, falar nessas coisas é sinônimo de ingenuidade ou ignorância. O termo Razão tornou-se quase um palavrão, e aqueles que ainda acreditam no lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” são silenciados por uma violência invisível, chamada descrédito.

Hoje ficamos em casa, trancados, com medo do mundo e desconfiados de todos os outros. Não conseguimos mais acreditar na bondade humana e por isso nos tornamos reféns da incredulidade quanto à intensões que qualquer um. Tornamo-nos meio paranóicos meio esquizofrênicos, descrentes de nós mesmos, vulneráveis a todo tipo de irracionalismo e a todo tipo de pensamento superficial, fágil e insensato. Quanto mais apáticos, mais úteis ao sistema, mais manipuláveis e mais sujeitos à lavagem cerebral da mídia. Autores populares ganham fama e sucesso com fórmulas fáceis, irracionais, infantis mesmo. Por outro lado há os que defendem a descrença total quanto à tudo, e esses são tidos como os pensadores maduros, fortes e corajosos, por enfrentarem o que chamam de “vazio da existência”.  O Vazio, de fato, toma conta do mundo (mas não por conta de sua existência objetiva, mas por conta de seu poder sobre nossas mentes), o niilismo avança como, ao que parece, mais um tipo de arma contra o progresso da ciência e da civilização... Se ontem foi a irracionalidade dos dogmas religiosos (Idade Média) a nos oprimir e às nossas potencialidade, hoje é a irracionalidade do niilismo, com sua crítica à razão e aos atributos humanos.

Mas a luta não está finda. A História humana ainda está longe de acabar (como bem o perceberam os que defendiam o “Fim da História”) e novos momentos virão. A História é cheia de altos e baixos, revezes são comuns em sua trajetória e só o futuro dirá o que nos espera. Saibamos disso: lutemos por algo, acreditemos em algo – ou mesmo no nada, quem assim o desejar – mas tenhamos em mente que novos tempos trazem novas idéias, e nenhum de nós tem como ter certeza de quais idéias dominarão o tempo de amanhã. Quanto a mim, como professor, prefiro acreditar no ser humano e em seu potencial maior: a Razão e o Amor.

Milton EF
























O QUE É HUMANISMO


O QUE É O HUMANISMO

 

Bem o sabem aqueles preocupados com o atual estágio da nossa sociedade como é importante a perspectiva humanista! Pensando na realização tanto do projeto do Espaço Cultural como do blog que aqui apresentamos é que percebemos o conceito de “humanismo” como estratégico em meio a todas essas idéias.

 

Mas e o que é “Humanismo”? Esse conceito já tem alguns séculos e sua importância é inquestionável entre todos aqueles interessados pelas artes e pela ciência como um todo. Sim, isso de fato ocorre porque tanto o artista como o cientista faz o que faz com um objetivo, e se esse objetivo não for o mero “ganhar dinheiro” então ele o fará pelo seu próprio desenvolvimento, pela sociedade em que ele vive, pelo ser humano enfim. E poderia ser de outra forma?

 

O fim da Idade Média foi um importante marco na História da Humanidade para a perspectiva humanista. As autoridades de então criaram – e quem tem algum conhecimento de história daquele período sabe bem disso - um sistema sócio-cultural que fazia duras críticas às conquistas filosóficas da Grécia clássica. A defesa da razão e da crença na capacidade criativa humana havia sido substituída pelo fanatismo, pela ignorância e pela cega submissão aos valores religiosos. Em meio a essa cultura irracionalista, a concepção defendida pelos filósofos gregos do classicismo de pôr o ser humano como referência fundamental foi superada, e os valores transcendentes tornaram-se referência fundamental.

 

Para esse modelo de visão de mundo a vida em si não era importante, o prazer era algo condenável e apenas a subserviência absoluta às autoridades (especialmente às religiosas) e a aceitação de uma vida de ignorância (“humildade que agrada a Deus”) e de sofrimento seriam as garantias de conquista de um bem que era valorizado mais do que qualquer outra coisa: a “salvação eterna da alma”.

 

Esse foi um período no qual a cultura urbana entrou em decadência, no qual a perspectiva científica foi praticamente esquecida no mundo ocidental, no qual o conceito de justiça social voltou a não ter mais sentido algum e a filosofia passou a ter razão de ser apenas se completamente inserida no contexto religioso.

 

Mas como já foi dito: “você pode engar muita gente durante bastante tempo, mas não pode enganar a todos, muito menos para sempre”. As cruzadas, o contato com o mundo oriental, trouxeram novas idéias às sociedades ocidentais, o comércio floresceu novamente e no início, especialmente, na mesma região na qual ele havia tido tanto incremento: na região da Península Itálica, ao redor do mediterrâneo. As grandes navegações logo se iniciaram, presenciamos um assombroso desenvolvimento da ciência e da tecnologia (não usamos essas duas expressões como representantes do mesmo sentido, mas deixaremos para conversar sobre isso em um outro momento) e pessoas como Descartes, Galileu e Newton puderam finalmente expressar suas idéias sem sofrerem as ameaças da Igreja – muito embora saibamos todos que Galileu, especialmente, teve lá seus dias ruins, mas isso deveu-se também, de acordo com especialistas, ao seu conhecido temperamento difícil -  e a Idade Moderna teve início. Deste período cujas conquistas hoje são tão controversas (pessoalmente, já tentaram xingar-me chamando-me de “iluminista”, e é notório que expressões como “racional”, “progresso”, “evolução social” são hoje quase palavrões em certos meios...) acreditamos que a maior conquista tenha sido a valorização da idéia justamente de liberdade de expressão, cujo exemplo histórico mais representativo provavelmente seja a frase de Voltaire, criticando a fogueira que fizeram de escritos de Rousseau: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-las”.

 

É fundamental que compreendamos a importância desse valor social, o de liberdade de expressão! A luta por uma sociedade mais justa passa invariavelmente pelo respeito à individualidade (que não é o mesmo que individualismo) e pelo respeito à opinião alheia (que não é o mesmo que relativismo ou ditatura da subjetividade). Como falar em liberdade se não se tem direito de expressão? Não poder dizer o que se pensa é quase o mesmo que não poder pensar! E não poder pensar é não ter o segundo direito fundamental, o de ser o que se é: humano. (quanto ao primeiro, cremos que não haja um dissenso quanto ao fato de que seja o direito à vida).

 

As conquistas da Idade Moderna devem ser compreendidas e valorizadas, pois elas são as bases da nossa sociedade e foram estabelecidas com o sacrifício de muitas pessoas corajosas e ousadas. Como criticar o conhecimento, a inteligência, a ciência (lembremos aqui que é a nossa capacidade de gerar conhecimento que tem possibilitado a nossa sobrevivência, afinal, nossos organismos são frágeis e muito pouco poderíamos fazer largados à natureza, sem roupas nem ferramentas), além de valores como “igualdade, liberdade, fraternidade”?

 

Claro que aqui cabe a velha discussão sobre os problemas da efetiva distribuição dessas conquistas por entre as várias “classes sociais”, mas lembremos que essa discussão apenas foi possível (também) devido às conquistas da Idade Moderna. Mas o ponto onde gostaríamos de chegar é o de que todos esses valores, todas essas reflexões, conquistas e debates são fruto da corrente filosófica que convencionou-se chamar de “Humanismo”, e dentre as variadas definições que pudemos encontrar para essa postura filosófica a que mais nos pareceu esclarecedora e exata foi a que explica que o Humanismo é a resgate da valorização da condição humana, das potencialidades, inclusive sua racionalidade e inteligência, e a consequente crença de que essas potencialidades podem ser utilizadas para a construção de uma sociedade melhor.

 

Bom, não acreditamos que alguém irá levantar a voz na multidão para se opor a esses valores. No entanto, sabemos que alguns poderão dizer que pensar assim é uma grande ingenuidade, uma utopia – como de fato há os que assim pensam – mas condenar a busca por esse estado de coisas é realizar um esforço no sentido de não caminhar para lugar nenhum... Isso porque, se pensarmos bem, veremos que não faz sentido algum criticar a luta por uma sociedade melhor; o que se pretende com essa crítica? Desestimular aqueles que acreditam nesse esforço? Promover um ceticismo generalizado? Disseminar o Niilismo por toda a face da Terra, de forma que no futuro não haja mais nem um ser humano sequer encantado com a vida? Além de um grande crime contra o ser humano e contra o direito à própria “dúvida filosófica”, agir assim é portar-se de uma maneira profundamente inconsequente, afinal, não termos conseguido construir uma sociedade desprovida de grandes injustiças sociais não implica na conclusão de que isso não poderá jamais ser conquistado algum dia... Para reforçar essa idéia basta lembrar que durante a Guerra Fria a humanidade por pouco não sucumbiu  a uma hecatombe nuclear, e no entanto estamos ainda aqui, para dar continuidade à epopeia humana!

 

 

 

 

Milton Emmanuel O. Ferreira

 

Milton Emmanuel O. Ferreira é músico e pintor, professor do Núcleo de Atividades em Altas Habilidades/Superdotação do Estado do Ceará. É graduado em História, concludente de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica com pesquisa em andamento sobre Inteligência e Ética. É também aluno de graduação em Direito na Universidade de Fortaleza.